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Museu Nacional da Moeda de Moçambique

O Palácio do Dinheiro: A História e o Tesouro do Museu Nacional da Moeda

O Museu Nacional da Moeda Moçambique representa um dos pilares mais importantes da preservação da história económica nacional. Localizado no coração de Maputo, ele integra memória, património arquitectónico e identidade financeira num único espaço. Além disso, o museu documenta a evolução da moeda moçambicana e os sistemas de troca que precederam o período colonial, oferecendo uma visão abrangente da trajectória económico-social do país. Dessa forma, torna-se um ponto de encontro entre passado e futuro, permitindo que visitantes e investigadores compreendam como a formação da moeda moldou a sociedade actual.

O Surgimento do Museu como Marco Histórico e Económico

O Museu Nacional da Moeda abriu oficialmente a 15 de Junho de 1981, por ocasião da criação do Metical, a moeda nacional. A sua inauguração estabeleceu uma ligação simbólica entre o passado monetário de Moçambique e o momento em que o país consolidava a sua soberania financeira após a independência. Por isso, o museu funciona como testemunho dessa transição histórica, reunindo elementos que explicam o percurso económico antes e depois do período colonial. Além disso, o museu é administrado pela Universidade Eduardo Mondlane, o que garante rigor na investigação, catalogação e preservação do acervo. Similarmente, a ligação académica fortalece o papel educativo da instituição, tornando-a um recurso indispensável para investigadores, estudantes e curiosos.

O Edifício Mais Antigo de Maputo

A Casa Amarela, um Património Vivo e Testemunha do Tempo

O valor do museu está profundamente ligado ao edifício que o acolhe: a icónica Casa Amarela Maputo, assim chamada devido a sua cor vibrande. Construída em 1860, foi inicialmente propriedade de um comerciante indiano e, anos mais tarde, adquirida pelo governo português. Destinada em 1873 a ser residência do Governador de Moçambique, acabou por servir diversas funções públicas, como por exemplo a Secretaria do Governo, a Direcção dos Serviços de Administração Civil e até Primeira Esquadra da Polícia.

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Imagem antiga do edifício do Museu Nacional da Moeda (Fonte: UEM)

Em 1964, o edifício recebeu o estatuto de monumento nacional, reconhecimento que preserva a sua relevância histórica e arquitectónica até aos dias de hoje. A partir de 1981, transformou-se definitivamente na casa do Museu Nacional da Moeda.

Arquitectura com história

A Casa Amarela destaca-se pelas paredes espessas de pedra e cal, pela influência indo-portuguesa e pela sua presença marcante na Praça 25 de Junho. O seu característico tom amarelo funciona como símbolo visual e histórico da cidade. Contudo, o seu significado não se limita à estética: o edifício foi testemunha das primeiras estruturas económicas que antecederam a moeda moderna, como o comércio baseado no escambo e na troca de metais preciosos.

Museu Nacional da Moeda | Casa Amarela – Universidade Eduardo Mondlane
Museu Nacional da Moeda (Fonte: UEM)

Assim, o museu encontra no edifício um cenário ideal para abrigar a história monetária que ele próprio ajudou a moldar.

O Acervo Numismático Moçambicano

Uma viagem pela história da moeda

O acervo do museu reúne cerca de 4.300 peças, incluindo moedas, notas, medalhas e objectos monetiformes, sendo aproximadamente 1.000 referentes especificamente a Moçambique. Como resultado, o visitante encontra ali um retrato completo da evolução da economia nacional.

O percurso expositivo conduz por três grandes fases:

1. Trocas pré-coloniais

Nesta etapa, o museu apresenta objectos utilizados como meios de valor, como cauris, marfim, ouro e ferramentas de metal. Estes itens ilustram sistemas económicos baseados em troca directa, prática comum antes da introdução da moeda cunhada.

2. Moedas coloniais e companhias concessionárias

A exposição avança para as primeiras moedas cunhadas localmente, assim como para as divisas usadas por companhias coloniais, incluindo libras emitidas pelo Banco da Beira. Também estão presentes moedas de Réis e Escudos, que marcaram a administração portuguesa em Moçambique.

3. O nascimento e evolução do Metical

A fase central do acervo destaca a criação do Metical em 1980, revelando as notas e moedas originais, além de peças de períodos difíceis como a hiperinflação dos anos 1990 e início dos anos 2000. O visitante observa também o processo de redenominação em 2006, quando o Novo Metical (MZN) substituiu o antigo (MZM).

O Acervo Numismático Moçambicano não se restringe apenas às fronteiras nacionais, também inclui moedas de outros países africanos e parceiros comerciais, demonstrando a interconexão global da economia moçambicana. Por fim, o museu cumpre o seu propósito: garantir que a memória da complexa trajetória financeira da nação permaneça acessível e viva para as futuras gerações.

O museu não apenas expõe moedas antigas, ele narra a evolução dos sistemas de troca, desde os artefactos de valor pré-colonial até à moeda fiduciária moderna. A instituição assume a responsabilidade de educar o público sobre o Acervo Numismático Moçambicano. Portanto, ele atua como um recurso vital para académicos e estudantes, oferecendo uma perspetiva tangível da turbulência e do desenvolvimento económico. Este museu torna-se num guardião da memória económica, social e política do país. Ele preserva testemunhos tangíveis que ajudam a compreender o percurso nacional desde o escambo pré-colonial até ao sistema monetário moderno. Logo, visitar o museu é mergulhar na própria história de Moçambique, observando como a moeda reflete mudanças, crises, conquistas e transformações profundas ao longo dos séculos.

Swilo xa Utomi

Revista online que apresenta conteúdos sobre a vida em Moçambique

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