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Dança Xigubo – A Dança dos Guerreiros Zulu

Xigubo: A Dança dos Guerreiros Zulu do Sul de Moçambique

A dança Xigubo é uma expressão tradicional profundamente enraizada na história e na identidade das comunidades do sul de Moçambique. Embora actualmente seja apresentada em eventos culturais, a sua origem remonta aos guerreiros Zulu, que a utilizavam para celebrar vitórias militares e fortalecer a preparação física e mental antes das batalhas. Assim, tornou-se conhecida como a dança dos guerreiros, porque simboliza coragem, resistência e poder colectivo.

Origens e Significado Cultural da Dança Xigubo

A prática do Xigubo desenvolveu-se nas províncias de Maputo e Gaza, regiões onde a presença dos povos Zulu influenciou profundamente as tradições locais. Originalmente, os guerreiros executavam esta dança para demonstrar força física, disciplina e união. Além disso, usavam-na como expressão de triunfo após confrontos militares, reforçando o prestígio e o espírito combativo do grupo.

Dançarinos de Xigubo
Dançarinos de Xigubo a executar os passos (Fonte: MaisAfrika)

O nome Xigubo deriva do som grave produzido pelos tambores utilizados na performance: gu…bo! gu…bo!, combinado com o prefixo ronga “xi” (que significa pertencente à). Dessa forma, o próprio nome traduz a potência sonora e rítmica que caracteriza esta manifestação cultural.

Com o passar do tempo, o Xigubo tornou-se um símbolo da resistência colonial em Moçambique, especialmente nas zonas interiores de Gaza e Maputo. Todavia, apesar da sua importância, a prática mantém poucos adeptos nas áreas urbanas, permanecendo mais viva nas comunidades rurais.

Estrutura e Elementos Coreográficos

A dança Xigubo consiste no alinhamento de um conjunto de homens, organizados em uma ou duas filas. Estes dançarinos apresentam-se adornados com fibras e peles nos braços e nas pernas, colares de sementes e saiotes confeccionados com peles de animais. Como resultado, a estética da dança remete directamente aos rituais de guerra e à tradição dos antepassados.

Dançarinos de Xigubo em fila
Dançarinos de Xigubo em fila (Fonte: MaisAfrika)

Os homens seguram um instrumento de defesa, tradicionalmente chamado xitlhango (escudo de madeira ornamento com peles de cabrito) e um instrumento de ataque, conhecido como azagaia (lança), que reforça o carácter marcial da dança. Os movimentos executados — fortes pisadas, avanços bruscos e gestos que imitam golpes — evocam o treino dos guerreiros Zulu e a preparação para o combate.

Presença Feminina e Estética do Contraponto

Embora o Xigubo seja predominantemente uma dança masculina, as mulheres desempenham um papel essencial na composição coreográfica. Nas extremidades da fila posicionam-se duas bailarinas que se confrontam simbolicamente, criando um contraponto estético ao vigor dos movimentos masculinos.

Elas executam oscilações rítmicas de anca, sempre sincronizadas com os tambores, enquanto os homens respondem com passos fortes e golpes de azagaia. Assim, a dança combina intensidade e leveza, reforçando a harmonia entre força e graça.

Reconhecimento Cultural e Tentativa de Património Imaterial

Em 2010, o Ministério da Cultura de Moçambique iniciou um processo de recolha de dados para candidatar o Xigubo ao título de Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO. No entanto, a candidatura enfrentou dificuldades devido à escassez de estudos científicos sobre a dança. Como resultado, a investigação aprofundou-se, envolvendo técnicos do Ministério e do ARPAC em trabalho de campo para reunir testemunhos orais e registos históricos.

Em 2014, a imprensa nacional anunciou que Moçambique continuava a preparar a candidatura. Caso seja reconhecida, a dança Xigubo tornar-se-á a quarta expressão cultural moçambicana a integrar o património da UNESCO, reforçando o valor simbólico desta arte que retrata a força dos guerreiros moçambicanos.

Swilo xa Utomi

Revista online que apresenta conteúdos sobre a vida em Moçambique

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