Ministério da Justiça aprova registo do partido ANAMOLA
O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique aprovou o registo do partido ANAMOLA, liderado pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane.
Nesse sentido, a decisão foi comunicada oficialmente esta sexta-feira, abrindo caminho para a publicação dos estatutos no Boletim da República e para o subsequente registo na conservatória.
O despacho foi assinado pelo ministro Mateus Saize, que confirmou o cumprimento dos requisitos legais para a constituição da nova força política.
Da polémica “Anamalala” à aprovação de “Anamola”
O partido denomina-se Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA). Contudo, o processo de legalização enfrentou entraves iniciais devido à sigla proposta anteriormente: ANAMALALA.
De facto, o termo, proveniente da língua emakhuwa, significa “acabou” ou “vai acabar”. Durante a campanha para as eleições gerais de 9 de outubro de 2024, a expressão tornou-se um slogan político utilizado por Mondlane e pelos seus apoiantes.
Todavia, num ofício datado de 28 de maio, o Ministério da Justiça argumentou que a sigla carregava conotações etnolinguísticas e um significado linguístico próprio, o que poderia colidir com os princípios estabelecidos na Constituição da República e na Lei dos Partidos Políticos. Além disso, foi apontada a inexistência de correspondência estrita entre o nome completo do partido e a respectiva sigla.
Face a essas objeções, Mondlane apresentou uma nova designação abreviada “ANAMOLA” que foi aceite em despacho posterior, datado de 7 de agosto.
Próximos passos: publicação e participação eleitoral
Com efeito, após a aprovação ministerial, deixam de existir obstáculos administrativos à formalização do partido. Assim, o registo na conservatória e a publicação dos estatutos no Boletim da República representam as etapas finais para a plena legalização.
Uma vez concluído o processo, o ANAMOLA poderá participar em futuras eleições em Moçambique, reforçando o leque de forças políticas no país. Dessa forma, o advogado Mutola Escova, mandatário judicial da formação, confirmou que a autorização já foi recebida, permitindo avançar com os procedimentos formais.
Contexto político: eleições contestadas e agitação social
A criação do ANAMOLA surge num contexto de forte tensão política após as eleições gerais de outubro de 2024. Venâncio Mondlane rejeitou os resultados que atribuíram vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo.
Nos meses seguintes ao escrutínio, o país registou manifestações e paralisações convocadas pelo antigo candidato presidencial. Organizações da sociedade civil que monitoraram o processo eleitoral indicaram que os confrontos resultaram em centenas de mortos.
Posteriormente, encontros entre Mondlane e Daniel Chapo contribuíram para reduzir a tensão social e abrir espaço ao diálogo político.
Reações políticas e simbolismo
Dinis Tivane, assessor político de Mondlane e secretário-geral interino do partido, celebrou a decisão nas redes sociais, classificando o momento como “o início formal da revolução moçambicana”.
A legalização do ANAMOLA representa, para os seus apoiantes, um passo estratégico na consolidação de uma alternativa política. Para os analistas, o surgimento da nova formação poderá influenciar também o equilíbrio das forças partidárias no cenário nacional.

